Final da Libertadores 2025: o sabor da Glória Eterna (pela quarta vez)

Confira os detalhes do histórico reencontro entre Flamengo e Palmeiras que consagrou o time carioca campeão da Libertadores de 2025 neste sábado (29).

Torsos suados, vozes eufóricas, olhos vidrados, prestes a jorrar lágrimas. No Maracanã, quase 38.000 flamenguistas viveram intensamente a final como se estivessem em Lima.  “Acaba, pelo amor de Deus!”, implorava a torcida no último minuto dos acréscimos. O juiz, enfim, deu o apito final.

O Flamengo é o primeiro brasileiro tetracampeão da Libertadores.

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O sonho de assistir a final da Libertadores no Monumental de Lima não foi acessível a toda a nação rubro-negra, seja devido aos preços exorbitantes dos ingressos, passagens, e hospedagens, seja devido aos compromissos de trabalho. Assim como outros milhares de torcedores que não puderam viajar para Lima, eu compareci ao Maracanã para viver esse momento.

Foto: Acervo Pessoal

Por si só, o fato de a CONMEBOL ter anunciado que a final aconteceria no Monumental de Lima já trouxe uma aura mística para o jogo do dia 29 de novembro. Isso porque foi lá que o Flamengo voltou a erguer a taça da Libertadores em 2019, após 38 anos sem vencer o título. Porém, não foi só esse fato que gerou a expectativa do “jogo do século”.

O enredo da final da Libertadores de 2025 é tão perfeito, que nem os melhores roteiristas de Hollywood teriam sido capazes de escrevê-lo. Após quatro anos, novamente, os protagonistas da maior rivalidade do futebol brasileiro nos últimos tempos se enfrentaram na decisão pelo título mais importante da América do Sul.

Dessa vez, o Andreas Pereira, ex-jogador do Flamengo, o maior responsável pela derrota do time na final de 2021, jogou pelo Palmeiras. Ele foi contratado pelo Porco em agosto desse ano e é considerado pela maioria dos flamenguistas um traidor e o verdadeiro vilão dessa narrativa. 

Parece que o destino quis proporcionar ao Flamengo uma chance para se vingar e, como dizem os torcedores rubro-negros, “ninguém morre nos devendo”. Até o flamenguista menos fanático não conseguiu segurar a ansiedade para essa final, que prometia ser o jogo do século – e foi.

No Maracanã, onde foi realizada a FlaFest, as baterias das torcidas organizadas não estavam presentes, o que inicialmente fez muita falta. Porém, bastou o juiz dar o apito inicial para que todas aquelas milhares de pessoas entoassem em uníssono os cantos rubro-negros, que ecoaram no estádio durante toda a partida. Foi como se os jogadores estivessem ali presentes, como se aquela final estivesse acontecendo no gramado sagrado do Maracanã.

No primeiro tempo, o Flamengo começou pressionando bem. Teve maior posse de bola e precisão de passes. Nos primeiros minutos, fez algumas finalizações, mas nenhuma no gol: 1 do Arrascaeta, 2 do Samu Lino e 1, a melhor, do Bruno Henrique, com passe do Varela, que teve uma atuação brilhante na partida. Foram muitas faltas dos dois lados e 4 cartões amarelos: Pulgar, Arrascaeta, Jorginho e Veiga

O Palmeiras dificultou as possibilidades de criação do Flamengo com uma linha de 5 bem consolidada na defesa. O time Alviverde apostou em bolas longas, investiu no contra-ataque e teve algumas chances de bola parada. A partir dos 35 minutos, o Palmeiras teve lances mais perigosos.

No último minuto dos acréscimos, Veiga cobrou uma falta, fazendo um levantamento que foi parar no Piquerez. Ele chutou forte, mas a bola foi desviada pelo Danilo. Ainda deveria ter tido um escanteio para o Palmeiras, mas o juiz apitou o fim do primeiro tempo.

No intervalo, o clima ficou estranho. O final do primeiro tempo, quando o Flamengo perdeu um pouco de ritmo, abalou os torcedores. A confiança que eu sentia no começo do jogo, com certeza já não era a mesma. O medo cresceu em mim, mas ainda era muito cedo para desespero. O sonho do tetra pulsava cada vez mais.

No segundo tempo, o Flamengo recuperou a concentração inicial. Aos 51 minutos, em um erro de passe na saída de bola do Palmeiras, o Bruno Henrique se adiantou e recuperou a posse de bola. Em seguida, fez o passe para o Arrascaeta, que estava muito bem posicionado, porém, o camisa 10 foi desarmado pelo Gustavo Gómez, que fez ótimas defesas ao longo da partida.

Em um lance seguinte, após um arremesso lateral do Palmeiras e um ótimo passe do Flaco Lopez, o Vitor Roque disparou para dentro da área, mas Varela conseguiu impedir que ele finalizasse. 

Enfim, aos 66 minutos, São Judas Tadeu fez uma intervenção celestial: Arrascaeta fez uma excelente cobrança de escanteio e, com um salto impressionante, o zagueiro Danilo cabeceou a bola, que bateu na trave e entrou no gol, deixando o goleiro Carlos Miguel sem reação. 

Nesse momento, o Maracanã foi tomado por um êxtase coletivo. Chuva de cerveja, abraços, beijos, berros e lágrimas. Foi o gol da vitória. Um gol heroico marcado por um jogador que é flamenguista desde criança e que sempre sonhou em jogar no clube. Danilo chegou no Flamengo esse ano, após atuar durante 13 anos no futebol europeu.

Mesmo não sendo titular na maioria dos jogos desta temporada, seja devido a concorrência na zaga com o Léo Ortiz ou a lesões recorrentes, Danilo foi um jogador que participou de um momento decisivo em junho, fazendo o gol de virada contra o Chelsea no Mundial de Clubes da Fifa e, além disso, ele foi essencial nessa reta final. O gol de cabeça do tetra nunca vai sair da cabeça do torcedor rubro-negro. 

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Depois do gol do Danilo, os técnicos fizeram mais substituições. O Palmeiras tentou fazer uma pressão final. Os jogadores do Flamengo já estavam desgastados. Aos 88 minutos, Vitor Roque recebeu um bom lançamento na área, mas finalizou para fora. Já nos acréscimos, Cebolinha, ponta-esquerda do Flamengo que entrou logo após o gol, fez uma caneta no Andreas Pereira, o que levou o estádio às gargalhadas e foi a cereja do bolo. 

Quando ele se aproximou da área, depois do drible fenomenal, Cebolinha sofreu uma falta do Maurício, que levou cartão amarelo. Na cobrança, ele bateu bem, fazendo a bola passar pela barreira, mas o goleiro do Palmeiras espalmou. 

No minuto final dos acréscimos, o Palmeiras ainda teve uma última chance, com uma cobrança de falta feita pelo Andreas. Gustavo Gómez chegou perto de alcançar a bola, mas o Rossi, que fez defesas espetaculares na Libertadores, conseguiu segurar.

Pouco tempo depois desse lance, o juiz encerrou a partida. A torcida rubro-negra foi arrebatada pelo sentimento inigualável que é ganhar uma Libertadores. Nada se compara ao sabor da glória eterna. O dia 29 de novembro de 2025 foi sacramentado como o dia em que o Clube de Regatas do Flamengo se tornou o time brasileiro que conquistou mais títulos de Libertadores na história.

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O Flamengo é uma religião”, disse Danilo, o herói da final, em uma coletiva pós-jogo. A devoção e amor incondicionais da torcida do Flamengo ultrapassam limites de fronteiras e são baseados em uma fé inexplicável e imensurável: a Fé no Mengo. É ela que move não só os torcedores, mas os jogadores também. 

E se o Flamengo é uma religião, o Bruno Henrique e o Arrascaeta são divindades, que têm seus postos junto de Zico, Júnior e Leandro. Eles se consagraram como ídolos sagrados: os únicos jogadores do Flamengo com 3 Libertadores nas costas. Os jogadores que conquistaram mais títulos pelo clube. Jogadores decisivos, líderes dentro e fora de campo, referências para milhares de pessoas. 

Filipe Luís, que venceu duas Libertadores como jogador no Flamengo, agora se torna o primeiro na história do clube a conquistar o título tanto como jogador, como treinador. Após a final de ontem, ele se tornou, sem dúvidas, um dos maiores ídolos da história do Flamengo, junto com Bruno Henrique e Arrascaeta.

Foto: GE/Rodrigo Valle/Getty Images

A história de identificação com o clube, as inúmeras conquistas, a conexão com a torcida, o exemplo de conduta e profissionalismo fazem o legado dele ser único. É um privilégio como torcedora vivenciar um momento tão marcante na história do Flamengo. Momento com o qual muitos torcedores sonharam em viver. Será que os meus filhos, netos e bisnetos vão ter esse privilégio também? 

Quarta-feira, dia 03 de dezembro, mais um capítulo dessa história será escrito. O Flamengo terá a oportunidade de ganhar mais um título, o Brasileirão, e desta vez em casa. Será o nono, caso ele vença a partida contra o Ceará. Além disso, em dezembro o Flamengo vai brigar pela Copa Intercontinental 2025 no Catar. Agora o seu povo pede o mundo de novo.

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XOXO, MDT 💖

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