Minas na Esportiva - Evelyn Rodrigues

Correspondente do UFC e cool girl dos esportes ✨🥊

O seu quadro favorito está de volta! 🎉 O novo período de 2026 começou e claro que agente não poderia ficar sem mais uma edição do Minas na Esportiva - um espaço dedicado ao destaque de mulheres incríveis que fazem parte do mundo esportivo. Seja nos bastidores, nas quadras, nas arquibancadas ou nos microfones, elas mostram que lugar de mulher é onde a gente quiser... inclusive na esportiva, sim!

Vem com a gente descobrir as nossas favoritas e entender por que ter minas na esportiva importa (e muito!).

Imagem: Pinterest | Reprodução

Evelyn Rodrigues (@vevyrodrigues) nasceu em Osasco e teve o primeiro contato com o jornalismo ainda criança, em uma rádio comunitária do pai! Apesar de sempre ter sonhado com o hard news e com a TV, foi durante um intercâmbio em Las Vegas que o rumo mudou: um freela na cobertura de uma luta do UFC acabou virando o ponto de virada de uma carreira que já dura mais de 15 anos no universo do MMA 💖 

Hoje, como correspondente internacional do UFC, Evelyn acumula experiências que vão muito além do octógono. Com um olhar focado em contar histórias e uma presença que equilibra firmeza e sensibilidade, ela se consolidou como uma das principais vozes brasileiras no MMA — e também como referência para mulheres que querem ocupar espaço no jornalismo esportivo (!!!).

Instagram Post

No papo com o MDT, ela compartilhou detalhes sobre sua trajetória no jornalismo até se tornar correspondente do UFC, sua vivência atual como jornalista esportiva e momentos marcantes de sua carreira. Confira mais detalhes desse bate-papo especial abaixo!

MDT: Para começar, aquela pergunta básica: fala um pouquinho sobre a sua história, como que você começou a gostar desse mundo! Você sempre quis ser jornalista? Sempre quis trabalhar com esportes?

EVELYN: Na verdade, eu sempre quis ser jornalista, mas não queria trabalhar com esportes — eu queria ser repórter de hard news. Eu comecei muito cedo na minha carreira — gosto de brincar que fui meio “Maísa” da minha vida — porque meu pai abriu uma rádio comunitária em Osasco, onde eu nasci. Ele saía e eu ficava brincando de ser locutora! Foi ali que eu percebi que tinha um dom pra comunicação. Meu pai sempre foi muito comunicativo, um cara incrível, então isso também influenciou muito. Quando passei na Cásper Líbero, eu não tinha dinheiro pra pagar, então precisei correr atrás de muitos estágios. Meu primeiro estágio foi em jornal, depois fui pra rádio, e minha carreira foi acontecendo sempre em hard news e música, nunca em esportes. Mas foi numa assessoria de construção civil que surgiu a oportunidade de fazer um intercâmbio nos Estados Unidos. Vim para Las Vegas, porque era uma cidade que crescia muito na área. E foi aí que tudo mudou: a minha escola de inglês ficava do outro lado da rua do UFC. Tinha um McDonald’s no meio, e eu, com dinheiro contado, comia lá o combo de um dólar. Comecei a ver os lutadores circulando e descobri que ia ter a luta do Anderson Silva contra o Vitor Belfort em Las Vegas. Eu pensei em tentar fazer um freela pra ganhar um dinheiro extra, já que estava precisando — e foi assim que tudo começou! Fiz esse freela e nunca mais saí da profissão. Até hoje, 15 anos depois, sigo vivendo de UFC!

O esporte muda vidas e abre caminhos, especialmente em um país como o Brasil, que tem tantos talentos!

EVELYN: Esse primeiro freela foi para um site que era um blog dentro do R7, e a partir daí o UFC descobriu que eu era repórter, que trabalhava com assessoria e eles se interessaram porque queriam ir para o Brasil — eles não iam desde 1998. Começou ali uma relação muito forte. Eu percebi que podia ser um nicho, porque o UFC ainda não tinha voltado ao Brasil, e aquela luta virou um fenômeno enorme na época, em 2011. Consegui o visto de imprensa para ficar nos Estados Unidos, virei repórter da Tatame, que era uma revista especializada em lutas, e comecei a fazer freela para vários lugares: UOL, revistas, sites, conteúdo de celebridades — fiz absolutamente de tudo. Em 2013, fui para a Globo, quando o Combate.com estava sendo lançado. Fiquei um tempo no site, fazendo cobertura de MMA, depois fui para a TV Globo como repórter, cobrindo não só luta, mas principalmente luta. Quando o UFC saiu da Globo e criou o Fight Pass, acabei indo com eles — e segui nesse universo!

MDT: Evelyn, durante todo esse processo, você acha que teve alguma referência em específico ou alguma jornalista que foi uma inspiração?

EVELYN: Sim, com certeza! No começo, minhas referências eram todas do hard news. Eu admirava muito nomes como a Fátima Bernardes, que apresentava o Jornal Nacional — era aquele lugar onde eu queria chegar, sabe? Era um modelo de carreira. Mas, quando eu fui entrando no esporte, comecei a ter referências mais próximas também. A primeira pessoa que conheci nesse universo foi a Ana Hissa, que já era uma baita produtora e cobria o esporte há muito tempo. Ela virou uma referência diária pra mim, uma verdadeira escola. A Paula Sack já estava cobrindo o UFC, a Vivi Ribeiro também — essas mulheres foram abrindo caminho e se tornaram referências muito importantes no início. A Joana de Assis também, que estudou comigo na Cásper e depois reencontrei na Globo. E a Vanessa Riche foi minha mentora quando entrei na Globo — foi ela que me ajudou a encontrar meu estilo, minha forma de fazer passagem, de falar com a câmera. No início, era muito um “one woman show”: você é câmera, repórter, produtora, edita, envia o material. E essas mulheres foram fundamentais nesse processo de aprendizado. 

Instagram Post

MDT: No meio de todos esses anos de carreira tem algum momento que você considera histórico? Ou até mesmo um dia que tenha sido mais caótico?

EVELYN: Perrengue faz parte da vida de jornalista, não tem como fugir disso, ainda mais hoje, em que a gente faz tudo. Quando virei correspondente internacional, por exemplo, muita gente acha que é algo glamouroso, mas eu estava sozinha nos Estados Unidos, fora do eixo de Nova York. Isso significava que qualquer coisa que acontecesse naquela região, eu era a primeira a chegar. Acabei caindo em coberturas gigantes. A morte do Kobe Bryant foi uma delas — tive poucas horas para chegar ao local do acidente e, assim que cheguei, já entrei ao vivo para GloboNews, Globo e Jornal Nacional. Foi, inclusive, minha primeira entrada no Jornal Nacional. Também cobri o tricampeonato mundial do Medina, o título do Filipinho, e até a pandemia inteira, muitas vezes do quintal da minha casa, fazendo entradas ao vivo da piscina. E, no UFC, entrevistei praticamente todos os grandes nomes: Conor McGregor, Ronda Rousey, Floyd Mayweather e Jon Jones. Eles já fazem parte da minha rotina há 15 anos!

MDT: Como é a sua rotina num dia de luta?

EVELYN: Antes de ter filho, minha memória era absurda — eu lembrava de praticamente todas as lutas, de todos os atletas. Eu já tinha vivenciado muitos eventos ao vivo e isso ficava muito fresco. Eu parei de contar na credencial número 200, então hoje nem sei quantos eventos cobri em 15 anos. Hoje, a rotina é mais organizada. Durante a semana, faço entrevistas — muitas vezes online. A terça-feira é o media day, quando eu passo o dia entrevistando todos os lutadores do card. Essas entrevistas são usadas na transmissão, no YouTube e também como base para outras entrevistas ao longo da semana. Na quinta tem coletiva de imprensa, na sexta a pesagem, e no sábado o evento. A gente chega horas antes e sai horas depois. Eu também escrevo entradas, preparo entrevistas específicas, gravo conteúdos no hotel e na arena. Existe todo um planejamento ao longo da semana. Quando não estou em evento, trabalho de casa, organizando pautas, planejando coberturas. Hoje é mais tranquilo do que na época da Globo, quando eu recebia ligações do tipo “caiu um avião, você tem uma hora para chegar”!

Ainda é um ambiente muito masculino, mas isso não pode ser um impedimento. Pelo contrário, a presença feminina traz um olhar diferente, mais sensível, mais atento às histórias — e isso é fundamental.

MDT: Você caiu meio de paraquedas nesse mundo por um freela! Qual é a principal dica que você daria pra alguém que não sabe nada de UFC e quer começar a acompanhar?

EVELYN: Pra quem quer assistir, acho que o primeiro passo é deixar o preconceito de lado. Eu mesma tinha essa visão de que era só “um batendo no outro”, mas se você entrar com essa mentalidade, não vai aproveitar a experiência. O UFC é muito mais do que isso. São atletas extremamente preparados, com técnica, regras, equipe por trás. Muita gente não tem ideia da estrutura por trás. É um ambiente extremamente organizado, com instituto de performance, cientistas, acompanhamento físico, nutricional e até financeiro. Os atletas têm carreiras curtas, muitas vezes se aposentam com pouco mais de 30 anos, então existe toda uma preocupação em prepará-los para o futuro. É um esporte seguro hoje, muito diferente da época do vale-tudo. E, além disso, tem um papel social enorme. O caso do Charles Oliveira, por exemplo, é muito simbólico: nasceu com um problema no coração, disseram que ele não ia andar, e foi o jiu-jitsu que transformou a vida dele. Ele demorou 11 anos para conquistar o cinturão, e hoje leva crianças da comunidade para treinar com ele. O esporte muda vidas e abre caminhos, especialmente em um país como o Brasil, que tem tantos talentos!

MDT: A gente ama a forma que você conduz as entrevistas! Passa aquela credibilidade de jornalista mas também transparece uma relação muito legal com o atletas. Como isso funciona?

EVELYN: Isso vem de muita preparação. As pessoas não imaginam o quanto a gente estuda antes de entrar ali. Eu não gosto de focar em termos técnicos — já existem especialistas para isso. Eu estou ali para contar histórias. Acho que encontrei meu lugar nesse olhar mais humano. E, por ser mulher em um ambiente muito masculino, acredito que também trago uma certa delicadeza, que ajuda a equilibrar. Isso influencia até na forma como os atletas respondem. Mas também é importante saber fazer perguntas difíceis — e eles respondem. É uma relação de confiança.

Instagram Post

MDT: Para encerrar com a nossa pergunta clássica: Qual o principal conselho que você daria para uma menina que quer trabalhar com o UFC e jornalismo esportivo?

EVELYN: Eu acho que, de forma geral, vale muito tentar se aproximar do esporte — fazer uma arte marcial, frequentar academia, conversar com atletas, entender o ambiente real. Eu mesma tentei, apesar de não ter coordenação, mas me coloquei nesse lugar de aprendiz. Construir networking e relação com fontes é essencial em qualquer área do jornalismo. Mas, principalmente para meninas que querem trabalhar com esportes, eu diria: ocupem esse espaço. Ainda é um ambiente muito masculino, mas isso não pode ser um impedimento. Pelo contrário, a presença feminina traz um olhar diferente, mais sensível, mais atento às histórias — e isso é fundamental. Também é muito importante trabalhar a credibilidade. Não vale a pena queimar uma fonte por um furo. Muitas vezes eu dei notícias importantes porque as pessoas confiavam em mim para isso. Essa confiança se constrói com ética e consistência. Além disso, estudem e aprendam um pouco de tudo: edição, vídeo, roteiro, câmera, apresentação. Hoje o jornalismo é integrado, e você precisa transitar por várias funções. E, acima de tudo, não tenham medo. Se coloquem nesses espaços, se preparem e confiem no olhar de vocês. O esporte precisa de mais mulheres contando essas histórias — e isso faz toda a diferença.

Curtiu o conteúdo? Então continue acompanhando o Manual das Torcedoras para se manter em dia das discussões e novidades no mundo dos esportes.

XOXO, MDT 💖

Leia mais

Reply

or to participate.